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André Midani

Dica de leitura: “André Midani – Música, ídolos e poder. Do vinil ao download” 

Se você quiser conhecer o responsável pelo lançamento de movimentos como a bossa nova, a tropicália e o rock nacional, o livro/biografia “André Midani – Música, ídolos e poder. Do vinil ao download” (Nova Fronteira – 296 páginas) é uma leitura obrigatória. Nele, você encontrará a história do homem que nasceu há 76 anos em Damasco, na Síria, ficou na França até 1955, quando fugiu para não participar da Guerra da Argélia, e acabou no Brasil por acaso, porque ficou fascinado com a beleza da Cidade Maravilhosa. 

O livro mostra o relato de quem desde a década de 50 observa sob ângulo privilegiado os bastidores do mercado musical brasileiro e foi eleito uma das 90 pessoas mais importantes da história da indústria mundial do disco pela revista “Billboard”. Assuntos e histórias não faltaram para preencher o livro desse brasileiro por adoção que esteve à frente de três multinacionais da indústria da música - André Midani foi contratado pela Odeon (hoje EMI) quando chegou ao Rio e depois passou pela Philips (hoje Universal) e Warner, onde ficou até 2001.

Confira abaixo a entrevista que a JB FM fez com André Midani por e-mail.

JB FM: Como a música surgiu na sua vida?

André Midani: Através de um velho toca-discos de manivela que tocou uns discos de cera em 78 rotações. A musica era 'La Mer', de Charles Trenet, um importante compositor francês.

JB FM: No livro, o senhor conta que brincava com tanques de guerra quando era criança. Qual foi a influência da guerra na sua vida??

André Midani: Que a vida não é brincadeira.

JB FM: Por que o senhor escolheu o Brasil, quando saiu da França em 1955?

André Midani: Eu viajava em direção à Argentina. Porém, quando o barco atracou na Baía da Guanabara, fiquei fascinado pela beleza do Rio de Janeiro e decidi descer do navio e morar aqui.

JB FM: No livro, o senhor diz que sua profissão era 'o mundo das maravilhas'. Se fosse hoje, também seria assim?

André Midani: Claro, seria o mesmo. Trabalhar com artistas de talento sempre é viver no mundo das maravilhas.

JB FM: O que deu mais trabalho na época em que o senhor trabalhou na indústria musical: lidar com os artistas ou produzir lucros?

André Midani: As duas coisas ao mesmo tempo.

JB FM: O que fez a indústria fonográfica perder o rumo e entrar em crise?

André Midani: A entrada dos tecnocratas nos postos de comando.

JB FM: Qual o sentimento que o senhor guarda do processo, feito na década de 70, para expulsá-lo do Brasil? Por que houve essa ameaça? O senhor guarda algum rancor??

André Midani: O governo pensava que eu era um intermediário do movimento black norte-americano com a finalidade de financiar um levantamento dos blacks nas favelas cariocas... Não sei quem inventou esta tolice. Mas rancor é um sentimento que não existe na minha vida. A vida foi tão generosa comigo!

JB FM: A música ainda faz parte da sua vida? O que o senhor escuta atualmente?

André Midani: Escuto de tudo e de todos: velhos, jovens, modernos, antigos, respeitáveis, contestadores, românticos etc.

JB FM: Quem, na sua opinião, merece destaque no atual cenário?

André Midani: Uma cantora/compositora francesa chamada Camille.

JB FM: Uma vez o senhor disse, numa entrevista, que 'por pior que pareça o contexto, sempre há algo de novo acontecendo'. O que de novo está acontecendo no momento? No que o senhor apostaria?

André Midani: Nos meninos da Paraíba.

JB FM: Como o homem que lançou a bossa-nova, a tropicália e o rock nacional vê o fenômeno do funk, do rap e do hip-hop??

André Midani: Indispensável para o pessoal expressar suas inquietações, desejos e amores.

JB FM: Qual é o papel da música na sociedade? E no futuro, como vai ser? Dá para arriscar uma previsão?

André Midani: Um bilhão de chineses, um bilhão de indianos, um bilhão de muçulmanos, falta de matérias-primas, aquecimento global, revolução tecnológica, declínio da civilização ocidental... A música vai ter que rebolar para ter um papel preponderante neste futuro que se anuncia perturbado.

JB FM: Depois de viver 12 anos no exterior, por que o senhor escolheu o Rio para morar?

André Midani: Porque tenho aqui meus filhos, meus amigos e os que eu chamava orgulhosamente de 'meus artistas'.

Por Por Aline Gonçalves

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