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Henrique Goldman

Diretor, produtor, roteirista; Henrique Goldman nasceu em São Paulo, em 1961. Começou a carreira de cineasta escrevendo e dirigindo documentários. O primeiro trabalho, “New York, Babel Paradise”,  saiu em 1983. Até os dias atuais, sua empreitada foi repleta de grandes sucessos, dentres eles estão: curtas, documentários, peças teatrais, e a sua última obra prima, o filme “Jean Charles”, cuja estreia aconteceu sexta (26 de junho).

JB FM - Dentre milhares de histórias, por que a do Jean Charles? O que te chamou atenção e consequentemente te inspirou no roteiro?

Henrique Goldman - Inicialmente porque eu me identifiquei  muito com ele, pois também sou brasileiro, vivo em Londres e, apesar de judeu, tenho cara de árabe - o que aconteceu com ele poderia ter acontecido comigo. Mas com o tempo, o Jean virou um ícone e em torno de seu nome e de sua morte gravitam os temas mais importantes da atualidade: imigração, extremismo religioso e globalização.

JB FM - A família do Jean colaborou de primeira com a idéia de retratar a história do brasileiro nos cinemas? Como aconteceu essa aproximação?

Henrique Goldman - Desde o começo eles nos ajudaram a formar um retrato do Jean. Foi uma aproximação difícil porque a familia estava muito traumatizada. Mas aos poucos eles entenderam melhor nossas intenções.

JB FM - A Rede Estatal Britânica BBC queria algo com a visão inglesa no filme. Você gostaria de privilegiar o ponto de vista brasileiro. Como foi isso? Enfrentou problemas?

Henrique Goldman - O maior problema era o roteiro do filme que eles queriam fazer - muito fraco.

JB FM - O elenco contou com bastante atores não profissionais. Quais critérios foram utilizados nessas escolhas?

Henrique Goldman - Um único critério: a capacidade de interpretar. Algumas pessoas já nascem atores.

JB FM - Qual valor teve a contribuição de Carlos Nader no resultado final do filme?

Henrique Goldman - Um valor enorme. Sem o Carlinhos este filme simplesmente não teria sido feito. Ele colaborou muito em todas as etapas. Opinou no roteiro e me questionou muito durante as filmagens. Mas foi principalmente na fase de edição que sua colaboração foi mais valiosa. O Carlinhos é um cara super-dotado e é um privilegio ter ele como produtor e como irmão.

JB FM - Qual o seu interesse em contar histórias que retratam a vida de brasileiros que lutam para sobreviver na Europa?

Henrique Goldman - Vivo fora do Brasil há 27 anos. Retratar a vida dos brasileiros no exterior é um jeito de usar a história dos outros para falar de mim mesmo.

Por Camila Silva Jul/2009

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