Ela é paulistana e também a mais nova sensação da música popular brasileira. Introduzida na prática musical ainda na infância, aos sete anos de idade já gravava músicas em fitas cassetes. Fez aulas de violão durante poucos meses, e aprendeu com isso a compor pra valer através da prática. Estourou em todo o Brasil com a música “Shimbalaiê”, após essa se tornar tema da novela de uma emissora carioca. Atualmente segue mostrando que a nova geração também é capaz de fazer música de qualidade.
JB FM – Foi aos 10 anos que você compôs o seu primeiro single. Chegou a ter problema com essa canção? Talvez não a considerasse boa..
Maria Gadú – Acho que não era nem um problema, era só por não ter entendido que aquilo era uma música, que saiu da minha cabeça e que era possível criar alguma coisa. Rolou uma espécie de depressão pós-parto, (risos).
JB FM – Mas foi força do João Donato que te mostrou que a canção era realmente poética?
MG – Também, mas quem me mostrou que a música poderia ser alguma coisa, e que eu pudesse gostar foi o Rodrigo Vidal que, inclusive, produziu o disco.
JB FM – Bom, como você começou a compor muito cedo, isso deve ter rendido várias composições, assim como a Vanessa da Mata que diz que tem 400 canções. Você já tem um acervo como esse?
MG – Eu não me frequento muito, não.. (risos). Tenho pouca música. Compus essa música ainda novinha, mas voltei a escrever 10 anos depois. Ainda estou aprendendo o processo de escrever. A minhas músicas vêm ali na hora. Ainda não sei sentar, pensar, elaborar e tal.
JB FM – Nosso projeto Verão na Varanda acontece no Verão. Essa estação favorece o seu processo de inspiração?
MG – Por incrível que pareça, não sei se é uma coincidência ou se é inspiração mesmo, mas a maioria das canções que eu fiz foi no verão. Incrível isso, boa observação. Tomara que venha mais coisa boa por aí, (risos)...
JB FM – E esse sucesso todo, arrebatador, que chegou até você; aos 23 anos correndo junto com muita cantora mais ou menos na sua geração, com 60 mil cópias vendidas em aproximadamente cinco meses. Como está sendo isso? Porque você já começar com esse sucesso e ter que manter depois. Isso mexe com você?
MG - Não, (risos)... Até porque eu não esperava. As pessoas até perguntam sobre um próximo disco, mas eu não sei ainda o que vai acontecer. Depende do meu amadurecimento e dentro de quanto tempo isso vai acontecer. Demorei 22 anos pra escrever isso tudo, pra tocar esse pouquinho que eu toco de violão.
JB FM – Você tem esse jeito tímido, mas um atrevimento assim até que cativo do seu público, isso deve influir em seu repertório e também faz até a gente a chegar a comparações que você deve ter ouvido muito, Cássia Eller, até pelas escolha do repertório que vai do rock ao bolero, tudo isso misturado. Como é que foi essa influência? Você foi o que a gente chama de geração do Ipod? Onde tem todo tipo de música ali, segmentado, sem ter uma programação de rádio influenciando?
MG – Minha influência sempre foi tudo, então desde o rádio, as coisas que estavam acontecendo no mundo simultâneo com o meu crescimento, até as coisas que a minha mãe me trouxe de influência, que não eram da minha geração, como Chico Buarque, Marisa Monte, Caetano Veloso, mas sempre fui muito radiofônica. Estou sempre ouvindo, porque tem muita coisa boa e coisas da minha geração também que eu sou fã, e que de repente, agora com essa globalização de internet, dessa facilidade que a gente tem, dá pra ficar mais por dentro do que está acontecendo no mundo.
JB FM – Você vendeu mais de 60 mil cópias nos dias de hoje, isso não está mexendo com você em nenhuma maneira? Você falou que trata isso com leveza, que não está muito ligada e que está tudo acontecendo bem. Em nenhum momento você para e dá uma travada?
MG – Ah, várias vezes. Não é algo normal, mas eu tento não pensar nisso, não dessa forma de repente dar oportunidade pra eu me assustar, pra eu ficar nervosa, me dar a oportunidade de entrar num clima chato comigo mesma. Estou fazendo uma coisa que eu gosto muito com pessoas q eu eu amo bastante, a banda é fantástica, e isso que me sustenta. Meu pensamento fica no lugar.
JB FM – E o que você tem ouvido atualmente?
MG – Eu ouço Monique Kessous, Mariana Aydar, Céu, Ana Cañas, Playmobille, Jay Vaquer, estou apaixonada assim pela Luiza Possi... É fantástico ver a “galera” da mesma faixa etária com influências até um pouco diferentes e parecidas por ser da mesma faixa etária, mas fazendo uma mistura, enfim. Estou apaixonada por todos eles.
JB FM – E a gente não pode deixar de falar sobre a sua ponta como atriz. Foi tranquilo, fácil quando Jayme Monjardim convidou você pra fazer essa aparição, muito mais pelo seu jeito de cantar, pela sua música. Como é que foi isso?
MG – Foi um pouco estranho, pois eu não conhecia um processo de gravação, nunca tinha chegado perto. Não foi nem como atriz, afinal nem sou, só cantei. Falei pro Jayme que se ele me colocasse pra falar, eu iria gaguejar e que ficaria horroroso, (risos). Foi muito gostoso participar de um projeto muito bonito, muito bem cuidado, e por eu já estar convivendo um bom tempo com a “galera” do elenco, então já me sentia em casa.
JB FM – A gente vê os seus shows sempre lotados, sempre muita procura, muita gente. Você já tem o perfil do seu público ou está sempre diferenciando?
MG – É muito diversificado o público que vai, desde o público direcionado que gosta de mulheres cantando até senhores, muita criança. Ontem a gente fez um show em Volta Redonda, a maioria criança na platéia. Isso me deixa surpresa e feliz.
JB FM – Na próxima atração do Verão Na Varanda, nós teremos Mart'nália aqui. Alguma consideração? Você ouve, gosta?
MG – Adoro, ouço. Minha parceirona, muito querida. Quero ver se venho ver, todo show da Mart'nália eu tento ir, (risos). É muito bom, de uma integridade sonora incrível, como pessoa também.
Por Felipe Borba Fev/2010









