Enquanto muitos tentaram faturar às custas do revival dos anos 80, Leoni preferiu dar continuidade à sua carreira com mais um disco de inéditas. O CD “Outro Futuro” traz o ingrediente que consagrou o cantor e compositor carioca: excelentes letras. A novidade fica a cargo dos arranjos de cordas que engrandecem as 13 faixas, incluindo parcerias com os contemporâneos Alvin L., Frejat e Moska.
JBFM: Por que o título “Outro Futuro”?
Leoni: Por vários motivos. Estou passando por um momento importante da minha carreira. O meu público está se renovando. Me apoderei do meu repertório antigo. Uma garotada descobriu o que eu já fiz. Agora vai descobrir o que quero fazer daqui pra frente. Também tem a ver com preocupações políticas e ambientais. Para termos um outro futuro precisamos começar a fazer um outro presente.
JBFM: Quando aconteceu o primeiro contato com os Ashaninkas?
Leoni: Eu e o Benki temos amigos em comum. Um desses amigos me convidou para participar da cerimônia religiosa da tribo. Neste dia, eu conheci o Benki, que é o porta voz dos Ashaninkas para o mundo branco. Fiquei fascinado. Eles têm uma proposta bacana de outro futuro: não produzem lixo na aldeia, montaram uma escola para ensinar o homem branco a viver na floresta. Descendente dos Incas, a tribo fica na fronteira do Acre com o Peru.
JBFM: Essa amizade acabou virando parceria...
Leoni: Ele participou da última faixa do CD e, mais tarde, do DVD, onde cantou duas músicas. O DVD também tem um documentário sobre a viagem que fiz com os Ashaninkas para a França.
JBFM: Como pintou o convite para gravar o DVD em Paris?
Leoni: Fui convidado pela exposição “Amazônia BR”. Tinha muito brasileiro lá por causa do ano do Brasil na França. Fizemos o show em 21 de junho de 2005, dia da Festa da Música, quando aconteceram mais de 800 shows de graça.
JBFM: A platéia era formada só por brasileiros?
Leoni: Pelo o que pude perceber, tinha muito mais francês que brasileiro. Neste dia, eles ficam circulando, andando de um show pra outro. O curioso é que calculamos que fossem aparecer umas 350 pessoas. Acabou aparecendo o dobro desse número. Tinha até gente sentado na escada. Foi caloroso e respeitoso.
JBFM: O seu site traz inúmeras informações sobre sua obra. Qual o peso que a internet tem na sua carreira?
Leoni: A internet é a melhor ponte que existe entre o artista e o seu público. Você consegue preservar a sua privacidade. É um excelente meio de divulgação. O meu site é bastante interativo: as pessoas comentam nos blogs, fazem perfis, entram nos fóruns. Eu dou presentes e coloco demos de discos. Fora o site, vários outros mecanismos da internet estão substituindo os meios tradicionais. Para lançar clipe, o “YouTube” é melhor que a MTV. Pega o mundo inteiro e a qualquer hora. Estou pensando em fazer links no “MySpace”, colocando os áudios separados da música “A Chave da Porta da Frente”. Separar voz, baixo, violões e cordas para quem gosta de fazer remix. Acredito nesse tipo de contato. Quem vai lá, é porque está realmente interessado no seu trabalho.
JBFM: Em que momento o revival dos anos 80 afetou a sua carreira?
Leoni: Quando eu estava na estrada fazendo muitos shows do CD “Áudio-Retrato”, lançado em 2003, fui convidado para participar de eventos sobre os anos 80. Logo em seguida, lancei o meu DVD “Ao Vivo”. Só depois disso gravei minha participação no DVD do “Multishow”, onde evitei aparecer muito para não competir comigo mesmo. Quem conseguiu um segundo espaço, tem que mostrar coisa nova, que se renovou. Os modismos passam.
JBFM: O que tem passado pelo seu CD player?
Leoni: Eu não tenho mais CD player. Tenho ouvido muitos discos novos de nomes velhos no meu iPod. Cito “Modern Times”, do Bob Dylan, que eu adoro. Os novos de Paul Simon, Tom Petty e Elvis Costello com o Allen Toussaint. Também tem Brendon Benson e Richard Ashcroft, que era do The Verve. Acabei de comprar o mais recente do Caetano, que tem coisas muito legais. Ele está há tanto tempo no mercado e ainda tenta se renovar a cada disco. Fiquei impressionado com a disposição artística dele de fazer um CD de rock básico, com pouquíssimos instrumentos.
Por Julio Barbosa – Em novembro/ 2006









