Tamanho da letra A- A+
Edu Krieger

O competente Edu Krieger lançou em 2006 o seu homônimo disco de estréia, recheado de canções próprias. Leia as linhas abaixo e saiba mais sobre o cantor, compositor e instrumentista carioca, que já trocou figurinhas com nomes como Geraldo Azevedo e Sivuca; e marcou presença na edição 2007 do Festival Humaitá Pra Peixe.

JBFM: O seu CD é 100% autoral.

Edu Krieger: Dentro dessa minha brincadeira de fazer música, o meu grande barato é compor. É a coisa que eu mais gosto de fazer. Obviamente, que eu toco violão e canto, mas a minha grande pegada é a de compositor.

JBFM: Você tinha muita coisa pronta?

Krieger: Exatamente. O disco nasceu por uma necessidade de colocar esse trabalho em alguma vitrine. O trabalho não nasceu por uma vaidade ou pressão de alguém. Foi simplesmente por uma necessidade de expressar o meu trabalho dessa forma. Se pudesse, eu faria um disco com 72 faixas pois existe material para isso. A seleção foi feita junto com o produtor musical do disco, o Lucas Marcier. Ele me ajudou a escolher aquelas que pudessem formar um trabalho mais coeso, com uma unidade. Não doeu deixar músicas de fora do disco. Eu tô bem tranqüilo em relação a isso.

JBFM: Muita gente já te perguntou se "Ciranda do Mundo" é uma versão sua para uma música da Maria Rita?

Krieger: Ah, já. Várias vezes. Várias pessoas acham que a música é uma releitura minha de uma música do Pedro Luis, que também compõe e foi o primeiro a gravar. Aos poucos, esse crédito vai sendo dado a mim. Eu não ligo muito pra isso, não. O importante é a canção caminhar, independente das pessoas saberem que fui eu que fiz ou não.

JBFM: Como aconteceu a parceria com o Geraldo Azevedo na faixa "Temporais"?

Krieger: Eu trabalhei como baixista na banda do Geraldo Azevedo lá por volta de 2000, 2001, quando as coisas começaram a acontecer um pouco mais pra mim dentro do mercado da música. Eu perturbei muito para que ele me oferecesse alguma canção, alguma melodia. Era um desejo meu fazer uma música com o Geraldinho Azevedo porque ele é um ídolo pra mim. Um belo dia, ele chegou no estúdio com um CD com a música gravada. Aí, eu dei pulos de alegria. Na mesma noite, fui pra casa, fiz a letra e acabei colocando essa música no disco.

JBFM: Existe a idéia do CD, lançado de forma independente, ser distribuído por um selo ou gravadora?

Krieger: Eu não procurei gravadoras, não. Conversei com algumas pessoas que trabalham em selos porque sempre pensei em lançar esse disco por uma estrutura menor, que não fosse uma multinacional porque acho que o mercado está tão ruim que eu seria mais uma formiguinha lá dentro e não teria condição de me articular de nenhuma forma. O trabalho está andando bem. As portas estão se abrindo. Estou muito feliz com o resultado.

JBFM: O Lenine também demorou a gravar e, consequentemente, conquistar espaço.

Krieger: Eu acho que o Lenine foi inteligente, e eu sigo os passos dele e espero ter inteligência para desenvolver minha carreira dessa forma, para perceber que hoje em dia, aos 22, 23 anos, você é considerado velho, por não ter a estética do garotão sarado, bronzeado de praia, para aparecer na capa da revista. A juventude está muito ansiosa em ficar famosa muito rápido, em aparecer nas revistas. E, às vezes, quando aparece não tem nada pra mostrar. Houve uma época na década de 60 em que os artistas, que são os meus ídolos hoje, e acredito que sejam do Lenine também, Caetano, Gil, Chico Buarque, Paulinho da Viola e tantos outros, só apareciam se tinham algo a mostrar ou dizer. Tudo tem o seu tempo certo. O próprio Rodrigo Maranhão, contemporâneo meu e que está lançando disco agora, já tem uma estrada, foi gravado pela Maria Rita, assim como eu também fui. Eu estou muito feliz por ele estar lançando disco na mesma época que eu por que a gente vai fazer muita coisa juntos.

JBFM: Você já teve canções em peça de teatro e novela. Tudo caminha ao mesmo tempo?

Krieger: Todos ao mesmo tempo. São caminhos espirais que se encontram em vários momentos. Como eu sempre trabalhei voltado pra composição, tudo acabou confluindo nesse aspecto da composição. Quando trabalhava com teatro, que acabou culminando no Prêmio Shell, que ganhei em 98, com "O Auto da Compadecida", eu só optava por peças que me permitiam criar, compor. Nunca trabalhei com colagem de trilha ou simplesmente para chegar e tocar.

JBFM: Como foi tocar com o Sivuca?

Krieger: Ele era um mestre em todos os sentidos, não só musical, mas também no dia-a-dia. O Sivuca gostava de estar cercado de músicos jovens. Era um músico de cabeça aberta e antenado com a contemporaneidade. Quando eu fui convidado, perguntei pro diretor musical dele, Guga Mendonça: "Quanto eu pago pra tocar com ele? Qual a roupa que eu uso?" (Risos). Foi uma honra integrar a banda do mestre que nos deixou há pouco tempo.

JBFM: O que você tem ouvido em casa?

Krieger: Muitos discos de amigos. Eu me interesso mais pelo o que está sendo produzido agora do que pelas coisas que já foram feitas. Eu tenho escutado Anna Luisa, Ana Costa, Roberta Sá e o próprio Rodrigo Maranhão.


Por Julio Barbosa – Junho/ 2007

Couvert Artístico - Zélia Duncan
Charles Aznavour - VIP
Nando Reis - VIP